quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

PRISON SCHOOL


Em tempos em que é travada diariamente uma verdadeira cruzada moderna, entre o “meu time” e o “outro time”, entre ultraconservadores versus ultraprogressistas (etc.), perpetrada por especialistas clarividentes e donos da razão de ambos os lados, em que a cada dia se descobre um novo pecado, um novo culpado, uma nova redenção, em que não se pode cometer maior crime do que não tomar partido, do que não ponderar as coisas buscando o maior equilíbrio possível, do que ser, como Diógenes, cínico, do que não fazer textões sobre a polêmica da semana mostrando que a posição ultra-qualquer-coisa-ista é a única verdade, não porque ela responde às necessidades de nossos anseios e impulsos mais primitivos e destrutivos, mas porque está ao lado da “moral”, da “razão”, enfim, nesses tempos em que até mesmo uma simples “curtida” deve ser ponderada tal como um passo dado num campo minado, assistir a uma bobagem sem tamanho como Prison School pode ser uma verdadeira catarse. Prison School conta a absurda e irreverente história de cinco amigos que passam a frequentar uma escola extremamente conservadora antes reservada só para meninas. Logo eles descobrem, porém, que foram os únicos alunos homens matriculados. Flagrados durante uma tentativa de espionar as meninas no banheiro, os cinco são “condenados” a ficarem confinados, caso não queiram ser expulsos da escola, num pequeno presídio no interior da instituição sob a supervisão das sádicas e misândricas presidentes do conselho dos estudantes. Muito diferente do gibi bobo, ingênuo e enfadonho Bitch Planet, escrito pela ativista feminista Kelly Sue DeConnick, publicado pela Image Comics, que prometia subverter o sub-gênero exploitation “women in prison”, considerado por muitos como ofensivo, sádico e misógino, Prison School consegue de fato ser transgressor e oferecer um comentário bem mais complexo e relevante sobre a atual discussão acerca das relações de gênero, mostrando que as questões de domínio e submissão, juntamente com o papel que a dor e o prazer desempenham nessa equação, nunca são tão simples quanto queremos. Mas no fim é puro besteirol, e eu não recomendo pra ninguém, porém me divirto muito assistindo.